• Mário Antonio Marques Fascio

A mulher do fluxo de sangue








Marcos 5:24-43 / Lucas 8: 43-48


A tua fé te salvou! O que você sentiria se ouvisse da boca de Jesus Cristo tal afirmação? Como você se enxergaria naquele momento?


Consegue imaginar e examinar tais palavras vindas da boca do Messias diretamente para você? Se consegue imaginar, teria a capacidade de examinar no mais íntimo do seu espírito o motivo de ser merecedor de ouvir essa frase?


Quem somos nós para que tenhamos uma fé tão grande capaz de nos salvar? Claro, esse ato só pode vir do Senhor, pois a mulher do fluxo de sangue só foi capaz de produzir a fé daquela ocasião por ter se deparado com o autor da salvação em sua frente.


Não pense que somos capazes por nós mesmos. Tudo provém dEle e é por Ele e para Ele! (Romanos 11:36)


O regresso de Jesus traz esperanças: ontem, hoje e no porvir


O verso 40 do capítulo 8 do livro de Lucas, nos conta que Jesus estava regressando. Mas Ele regressava de onde? No relato anterior está a resposta, bem ao versículo 26, no episódio da expulsão de demônios para a manada de porcos: Jesus voltava da cidade dos gadarenos, do outro lado da Galileia.


O que mais me chamou atenção nessa passagem é o fato de o retorno do Senhor ter causado grande festa e euforia, reunindo uma certa quantidade de centenas de pessoas que o recebeu com festa.


Isso te lembra alguma coisa? Sim, se você assim como eu está aguardando a volta do Salvador, acredito que, em seu regresso também o receberá com grande gozo e felicidade inexplicavelmente contagiantes.


Se nós que, aparentemente, não estamos enfermos ou com um parente à beira da morte, já torcemos por sua volta com brevidade, imagine como Jairo, o chefe da sinagoga, e a mulher que sofria há 12 anos de uma hemorragia não deveriam estar?


Acredite, não é de hoje que o regressar do Filho de Davi causa euforia e contentamento!


O que fazia Jesus naquela ocasião?


Jesus voltava de uma viagem ao outro lado da Galiléia, e ainda no barco, fora recebido por uma grande quantidade de pessoas que estavam a sua espera. Talvez a ideia de Cristo fosse ir para casa, descansar um pouco, já que voltava de uma viagem. Você: quando volta de uma viagem ou de um longo dia de trabalho, qual o seu desejo, receber muitas pessoas em sua casa ou se jogar no sofá da sala e deixar o corpo descansar?


Como diz uma velha frase: “viajar é bom, mas voltar ao lar é melhor ainda”. Talvez fosse isso que Jesus estivera pensando naquele momento. Mas ao chegar à margem, Jairo, o chefe da sinagoga prostra-se diante do Senhor e o suplica que salve a sua filhinha que está à beira da morte. (Marcos 5:22-23)


O que essa mulher tinha?


Afinal, o que a mulher tinha? Do que aquela mulher sofria? Para muitos teólogos, a enfermidade que a acometia era uma irregularidade na menstruação, algo que provocava um fluxo exacerbado de sangue, além do normal. Hoje algo que poderia ser “curado” com auxílio de medicamentos, mas naquele tempo, uma situação constrangedora e que fazia dela uma mulher impura. (Levítico 15)


Para você, um ser humano do sexo feminino, como se sentiria se fosse você naquele tempo? Como ficaria a sua mente em uma situação perturbadora e solitária (por quê não dizer assim?). Qual homem estaria ao seu lado, vide que para toda uma sociedade, a sua vida era repleta de impureza?


Talvez, se essa senhora tivesse vivido entre os séculos mais recentes, psicólogos teriam atestado uma grande e profunda depressão.


Como a bíblia é linda! Ela nos permite enxergar muito além da situação momentânea. Como alguém, que assim como ela, tem sentimentos, consigo imaginar sua frustração e desespero por viver da maneira como vivia. Por outro lado, me sinto maravilhado quando percebo que já naquele tempo, apenas o ouvir falar sobre Jesus já era o suficiente para que uma pessoa gerasse em si a fé, mas não qualquer fé, a fé que salva, a fé que cura, a fé que é Jesus Cristo de Nazaré.


A fala dos discípulos a Jesus Cristo


Os seus discípulos lhe responderam: Vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou? (Marcos 5:31)


Lendo essa passagem, reporto-me à cena. Agora, nesse exato momento, estou no meio da multidão e ouço Pedro (o mais esquentadinho, não é mesmo?) indagando a frase acima ao Mestre. Na cabeça de Pedro, olhando em seus olhos, posso perceber seu pensamento: Como assim, o Messias, aquele que sabe tudo o que acontece antes mesmo que aconteça, perguntando quem tocou nele? Ele já sabia que iriam tocá-lo, não faz sentido, e continua: Ah! quer saber? Há coisas nele que não vamos nunca entender, então aceitarei e observarei seus próximos passos.


Então Jesus, sem nenhuma cerimônia ou pressa, ainda que tivesse sido abordado por Jairo, em prantos, olha para toda à multidão, e seus olhos chegam a passar por mim, e procura por aquela pessoa que tocou em sua orla.


Os versos 33 e 34 esclarecem e informam em suas palavras que a mulher resolve se apresentar, ainda que amedrontada por tamanha coragem de tocar em um homem, algo inimaginável para aqueles tempos, e se prosta diante dEle declarando toda a verdade. Afirmando, ainda que mergulhada em lágrima, por perceber o que havia lhe acontecido. Então, é quando naquele momento ela escuta dos lábios do seu Salvador: “Filha, a tua fé de salvou. Vá em paz, e sê curada do teu mal”.


Jesus não curou somente àquela mulher


Jesus não curou somente alguém que sofria de uma grande hemorragia, que já havia gastado todas as suas economias em busca de médicos e especialistas que pudessem ajudar de alguma maneira no cessar daquela doença que parecia não ter final.


Jesus demonstrou naquela ocasião que quando Ele quer, e quando há alguém disposto a renunciar o seu eu, então é aí que o milagre encontra espaços para acontecer.


Por outro lado, lembra como iniciou o capítulo em que estamos ancorados? Pois sim, Jairo ainda estava naquela cena, vendo que Jesus curara uma mulher estranha, enquanto sua filhinha estava sobre uma cama, sem vida, segundo os médicos da época.


Será que você pode imaginar o misto de frustração e pressa que pairavam pela alma daquele homem?


Quantos de nós não estamos como o chefe da sinagoga? Pedimos um milagre, mas observamos Jesus parando no meio do caminho para saber quem tocou em sua roupa. Será mesmo que saber quem esbarrou em suas vestes é mais importante que curar a minha filha? Acho que Pedro tinha mesmo razão em pensar e questionar o Mestre como fez junto aos seus outros companheiros. Era tanta gente, como alguém poderia ter tamanha sensibilidade para discernir que haviam lhe tocado propositalmente?


Mas calma, espere um pouco! Olhe o contexto de toda a história. Não seja egoísta ao ponto de acreditar que os céus devem somente trabalhar em favor de sua vida. Há espaço para todos debaixo dos céus, de mesmo modo, o sol brilha para cada um que anda pela terra.


A filha de Jairo tinha 12 anos, mesmo tempo que aquela mulher sofreu de profunda hemorragia. Uma vivera 12 anos em meio a sorrisos e carinho dos pais, por outro lado, alguém sofria no mesmo espaço de tempo com olhares de repúdio e palavras indelicadas.


E agora, após esse último parágrafo, quem precisava de um milagre mais veloz?


Jesus parte para a casa de Jairo, após dizer-lhe: Não temas, crê somente. (Marcos 5:36)


A partir do versículo 37, conseguimos ver a tamanha tranquilidade e maneira como o Senhor trabalha em prol de todos nós. Enquanto acreditamos que não há mais salvação, que a morte nos alcançou, Ele simplesmente lança uma palavra que faz com que não entendamos e até mesmo nos cause perplexibilidade: Por que chorais? A criança não está morta, mas dorme. (V.39)


Mas você acha que Jesus está preocupado com o que pensamos a seu respeito? Pelo contrário; aquele que detém todo poder, a chave da morte, o sopro da vida, esse sim lança apenas uma palavra e tudo se cumpre de acordo com sua ordenança.


Jesus afirmou que ela apenas dormia, então a morte se viu obrigada a cumprir conforme a frase saída da boca do Senhor.


Enquanto uns riam, a morte devolvia à vida uma pequenina de 12 anos de idade, após sua ordem: - Talita cumi, que traduzido é: Menina, eu te ordeno, levanta-te (v. 41)


Uma única palavra. Isso é tudo o que um milagre precisa para acontecer.


Uma única frase: “Pai, socorro, preciso de Ti”. É tudo o que o Salvador e consumador da nossa fé, necessita para que o milagre venha de encontro à nossa existência. Por isso, não perca mais tempo com bobeiras ou achismos a respeito dAquele que foi, que é e que há de vir. Não fique pensando que poderia ser primeiro o seu querer. Acredite, o socorro virá na hora em que você realmente necessitar para que o nome do Filho seja exaltado.

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